segunda-feira, 30 de junho de 2008

Vazio

Nesses últimos dias, tenho sentido uma sensação de vazio. Aliás, de muitos vazios.
Ainda sem saber muito bem o que fazer com ele e motivada pelo post passado, resolvi escrever.

Um desses vazios bem evidente foi causado pela transferência de um grupo de colegas para um outro prédio, deixando vários postos vagos. O silêncio, bem vindo nos primeiros dias, foi dando lugar a uma ausência de vozes, risos e discussões que começo a sentir falta.
Ficaram nas paredes a cola dos papeis usados para planejamento das atividades desse grupo que partiu, nos lembrando que estiveram ali e que, infelizmente, não tivemos tantas chances de nos aproximar, a não ser pela palestra sobre os tais papéis que colavam nas paredes...

Para piorar, como estamos atualmente com espaço sobrando onde antes havia uma super lotação, as pessoas que ficaram resolveram mudar de mesas tornando ainda maior a sensação de desorientação, de que as coisas e as pessoas estão fora dos seus lugares.

Na semana passada, já tínhamos experimentado a primeira semana sem a Taci, nossa amiga de blog e companheira de trabalho nos últimos 6(?) anos! Sua saída já havia deixado uma sensação de baixa, quando alguém que compatilha dos ideais de melhorias e mudanças de um grupo não está mais nessa luta. Certamente ela também está numa outra luta agora, com novos desafios e com sua esperança renovada, o que é muito bom para ela.

Nem faz tanto tempo assim que já tinha experimentado a tristeza da saída da Ana do nosso grupo, no final do ano passado. A Ana era ali, talvez a única a ter vivido experiências de trabalho parecidas com as minhas, no mercado, antes de vir para a universidade. Em parte por isso, temos um olhar muito parecido para os desafios da nossa área e da nossa profissão e que foi motivo de muitas conversas e algumas brigas (por que não?) que tenho saudades. Entramos no grupo praticamente juntas, numa época que éramos somente 5 ao todo. Hoje somos uns 40! No entanto, mais do que essa afinidade profissional, a Ana sempre foi minha irmã de alma e de astros (ela confirmou nos nossos mapas), o que no final das conta, explique porque costumávamos ser tão próximas na nossa convivência.

Na chegada do almoço de despedida da Taci, um outro vazio se anunciou! Clarissa me chama para contar que também sairia. Nem consegui respirar. Adoro a Clarissa, ela bem sabe disso, como pessoa e amiga que se tornou e como profissional super competente que dividiu comigo nos últimos 4 anos a experiência de tornar real um sistema que construímos do zero e que hoje é usado por muitos usuários e com um papel importante na corporação. Foram anos em que tivemos a liberdade de experimentar muitas idéias, ver a equipe crescer, vibrar com as etapas vencidas, driblar muitas dificuldades... Enfim, me orgulho muito de ter compartilhado esses anos com essa pessoa que, tenho certeza, terá um enorme sucesso em todas as escolhas que fizer profissionalmente.

Ainda mexida com a saída da Clarissa no final dessa semana, estive nos últimos dias envolvida em como resolver os impactos decorrentes de sua ausência no projeto. Como não teremos condições de absorver, no nosso próprio grupo, as atividades que a Clarissa desempenhava, a solução mais viável foi uma parceria com outro laboratório que já tem trabalhado conosco. Com a resposta positiva, hoje iniciamos uma transição dessas atividades para esse outro laboratório, levando com isso uma parte importante do prjeto. Ao mesmo tempo, vivo uma sensação de alívio, por ver que essa passagem viabiliza a continuidade do projeto, mas também de perda, em ver em outras mãos o que até agora tivemos a liberdade de definir e criar. Ainda terei que superar essa outra ausência.

Hoje tivemos o almoço de despedida do Lucindo, nosso auxiliar na recepção, que cuidava de todos e de tudo com seu astral e seu jeito sempre pronto a nos ajudar. Ele vai acompanhar o grupo que se mudou e será promovido na sua nova função. Sentiremos sua falta mas ficamos todos felizes em ver seu trabalho reconhecido e valorizado. Não fui ao almoço. Acho que, no fundo, usei a desculpa do atraso de uma reunião para fugir de me deparar com outra despedida.

Saí do trabalho hoje uns 10 minutos antes do normal. Enquanto dirigia, vinha pensando nesse vazio que restou, que começou pequeno e que foi crescendo. E como as pessoas realmente importantes fazem falta e deixam marcas por onde passam. Talvez esse vazio seja apenas uma ilusão, uma sensação de falta, de ausência, de saudades.

Cabe agora pensar em como esse vazio será preenchido. O quanto antes, para que eu não caia dentro dele. Sei que conseguirei. Pelo menos, já estou aqui, dando um primeiro passo, que é colocando minhas lágrimas nesse blog. E lembrando, junto com vocês, de todas as histórias que marcaram nosso encontro em um mesmo local de trabalho e nas nossas vidas. Acho que já estou me sentindo melhor. :-)

6 comentários:

Leticia disse...

Vazio. Saudade. De pessoas. De conversas. Não sei muito bem por que, mas desde o começo do ano está sendo assim. Procuramos outros projetos, cursos, outro trabalho. Vazio de perspectivas? Coisa de mulher? Eterna insatisfação? Falta de valorização? De verdade, não sei. Mas queria que fosse diferente.

Clarissa disse...

Desconcertante... Chorei. Muito. De emoção. De beleza. O mesmo choro que me acompanha desde a infância, na véspera da minha volta para o Rio, depois me visitar minha família no RS. Vazio no convívio diário, mas ao mesmo tempo, uma alegria transbordante, um coração super preenchido por tê-los sempre comigo, por ter passado aquele tempo com eles. E, no final, é esse espaço cheio que prevalece. ;-)

Obrigada, Julia! Pelas palavras, pelo compartilhar, por desconcertar.

Clarissa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clarissa disse...

"Somos assim. Sonhamos com o vôo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram."
(Rubem Alves, Religião e Repressão, 2005)

Taci disse...

Amigas, não quero comparar "vazios", mas preciso comentar sobre o meu. Está sendo muito difícil começar este novo desafio, esta minha opção tão pensada. Estou sem chão, sem amigas, sem companhia, sem consolo, sem almoços relaxantes, sem um pulinho no shopping para resolver uma coisinha, ..., sem vocês.

Minha cabeça está direto no Tecgraf, nas nossas conversas. Vocês não imaginam com foi difícil não saber sobre os comentários da festa e das fotos. Tentei extrair o máximo do André. Aliás, todos os dias eu falo: "Me conta as novidades de lá. E as meninas? E o CSBase? ... " Soube apenas ontem sobre a saída da Clarissa e minha vontade foi de ligar para ela para dizer que ela não fosse, que o certo era eu voltar e a Ana também. Também só fiquei sabendo hoje que a Cris mudou de empregada. É muito ruim não ter vocês no meu dia a dia!

Enquanto isso, no meu primeiro dia no novo trabalho, descobri que não sabia nenhuma das tecnologias usadas no projeto, que já tem tarefas alocadas para mim, que não há mulher na equipe de desenvolvimento, que eu estou com muita TMP. Acho que já deu para sentir o tamanho do meu vazio e a minha vontade de dividir tudo isto com vocês.

Estou morrendo de saudades!

Julia disse...

Taci querida!

As mudanças são sempre assim. No início é sempre mais difícil. Faz parte da adaptação ao novo ambiente, as novas regras, aos novos amigos.
É isso mesmo.

Adorei o texto do Rubem Alves que a Clarissa colocou no comentário dela: ..."Sonhamos com o vôo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio."...

O seu vôo tá só começando, claro, cheio de incertezas, como é de se esperar, mas também promissor de novos "mundos" que você vai conhecer!

Também estou com muitas saudades suas!
Um beijo grande,
-- Julia