sábado, 31 de maio de 2008

Problema com as palavras

Ou seria melhor "falta de educação"?

Tudo bem que vivemos em uma época em que a comunicação nas relações de trabalho usa cada vez mais de meios eletrônicos. Ou não estaria eu hoje, aqui, escrevendo nesse blog ;-). Mas, o que me espanta é que ferramentas como email e msn estão sendo usadas para criar um novo código de ética em que, objetividade virou desculpa para falta de gentileza, “ok” virou sinônimo de obrigado e cordialidade virou sinônimo de fraqueza. Isso sem falar nos textos abreviados e incompreensíveis das mensagens de messenger. E os emails com cópia (cc) se transformam em uma defesa para legitimar palavras que não seriam ditas olho no olho, sem público e sem uma tela de computador para acobertá-las. 

Confesso que, às vezes, me sinto totalmente démodé, carente de um simples obrigado, desculpas e por favor. Muitas vezes me pego respondendo pacientemente e gentilmente alguns desses emails com a esperança de que certas expressões produzam um efeito positivo no meu interlocutor. Ou, no bom humor, tento entender que quem está do outro lado está apenas entediado ou irritado talvez com o seu trabalho ou com o mundo.

Bem, ontem no final do dia, tive uma crise de desabafo e me queixei com uma amiga que, justificando um desses emails que nos foi enviado, disse que algumas pessoas tem "problemas com as palavras". É, pode ser... De uma forma ou de outra, ao chegar em casa ontem, fui conversar com meu filho na esperança dele entender que as palavras certas nos fazem conseguir coisas que podem parecer impossíveis. E, acima de tudo, as palavras bem usadas tornam a nossa vida muito melhor. :-)

domingo, 18 de maio de 2008

Marido nerd, sem computador

Desde que eu e André começamos a namorar, soube que se tratava de um nerd. Apesar de ser uma pessoa super especial, ele adora jogar no seu computador e não suporta ficar um dia sem atualizar seu Linux. Sem contar que ele chega até a compilar o kernel. (Ele fez questão de dizer que não tem mais precisado disto... Aí eu pergunto, alguém um dia já precisou?). Com tanta sede de atualizações, não é difícil que eu escute: "Putz, meu cd parou de funcionar". Acho que ele até gosta quando isto acontece porque pode futucar até descobrir como ajeitar.

Não deve ser difícil imaginar o meu enorme esforço para dividir a sua atenção e separá-lo do seu caso de amor número 1. Marco com os amigos, chamo para almoçar, combino um cinema e por aí vai. Ele até costuma topar outros programas numa boa. Nada sem antes olhar pelo menos as notícias em uns três jornais da web, ler outros cinco sites sobre novidades nerds e mais um tanto de outras coisas. Apesar de um ter um Mac e ele um Linux, adivinha quem me mantém informada das novidades e atualizações do meu Mac?

Não faz muito tempo que ele resolveu trocar seu computador por um ainda melhor. Coitadinha de mim, foram noites e finais de semanas de configurações e configurações. O pior, agora ele pode jogar muito mais do que antes porque a sua nova placa de vídeo e o seu processador são n vezes mais potentes. Socooooorrrro!

Eis que chega o dia da minha vingança. O seu novo e super computador quebra! Pior ainda, estava na garantia e ele não poderia abrir para futucar, teve que acionar a garantia. Naquele momento lembrei de um texto que os meus pais escreveram para mim na minha formatura, onde eles desejavam que o meu computador quebrasse várias vezes. Desejavam que quando isto acontecesse, eu olhasse para o lado e lembrasse deles, dos meus amigos, do resto do mundo e buscasse outras coisas longe daquela tela fria. Desde então, sempre que falta energia, ou que ficamos sem internet, tento por em prática o que meus pais disseram. Talvez eu esteja sendo um pouco injusta neste texto porque também sou bem chegada ao meu Mac (nada que chegue aos pés da relação entre André o seu todo poderoso).

No primeiro final de semana, até foi fácil colocar em prática os desejos dos meus pais. No segundo, nem tanto, começamos a disputar o meu Mac. No terceiro, eu tinha trabalho acumulado e precisava usá-lo de qualquer forma. André ficou desorientado, em crise de abstinência. Tentou a tv, livros, revistas... Tadinho... Depois de quase um mês, seu monstrengo voltou. Nunca pensei que eu fosse ficar tão feliz.

Mais um detalhe: hoje ele está radiante porque vai reinstalar o Windows e Linux. Não porque precisa, mas porque achou uma configuração melhor.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Almoço no Divã

Desde que esse papo de blog ficou "sério", a gente vem falando em compartilhar um pouco dos inúmeros assuntos abordados nos nossos almoços.

Nós trocamos informações sobre tantas coisas, que para mim é sempre um momento especial do meu dia! Considero os nossos almoços quase uma "terapia" entre amigos! :-)

Juntas, conseguimos nos distrair um pouco dos problemas do trabalho, e muitas vezes dos pessoais também. Falamos de filhos, casa, situações que ocorrem no trabalho, dietas, notícias e até mesmo futebol (somos mulheres bem ecléticas). Em geral, damos boas risadas!

Sim, também nos metemos "um pouquinho" na vida do outro, mas sempre para o bem!! :-) Damos opiniões, comentamos atitudes, em qualquer assunto! rssssss Também lembramos com "sutileza" que alguém está de dieta ou deveria estar, disputamos o brownie da Cris ou o suspiro da Clarissa que vem no cafezinho, damos "pitaco" no "colorido" do prato dos meninos. :-)

Ah, já rolou até chororô em almoços, afinal não podia ser diferente com tantas mulheres juntas! :-) TPM? Ciúme?! Ah, isso é melhor nem falar... que besteira, mulher nem sente ciúme da outra! ;-)

Bom, hoje tivemos mais um almoço especial, particularmente pela comemoração do aniversário da nossa amiga Julia! *** Parabéns, Julia, você merece tudo de bom! ***

Fomos ao Japa, que é o restaurante preferido de quase todas nós (amigas blogueiras). Saindo de lá, eu vim conversando com a Let e com a Clarissa sobre cafés da manhã em hotéis (humm!! a Clarissa vai para Buzios), jantar dos nossos companheiros (confesso que fiz algumas revelações! rsssss), e também falamos sobre o fato da Leticia e eu ainda não termos escrito no blog. Percebemos que tínhamos as mesmas questões, como não saber bem "o quê" escrever, nem "quando" ou "como".

Bom, e se não fosse por esse papo de hoje, provavelmente eu não estaria aqui fazendo essa postagem! Valeu, meninas! Let, agora estamos esperando seu post!

Aproveitem para deixarem aqui seus comentários sobre alguns momentos ímpares de nossos almoços! Mas lembrem-se, nem sempre precisamos dar nomes... ;-)

domingo, 11 de maio de 2008

Mãe

Chove hoje no Rio de Janeiro. Faz frio também. Bom para o aconchego. Bom para passar o dia juntos, em família, mimando muito as mães.

Lá em casa, passamos o dia juntos. Minha mãe, Ionir, diz que é o DIA das mães, e não o almoço das mães. Em alguns momentos, isso já foi um grande desafio, mas que acabávamos sempre curtindo. Relembramos velhas histórias e nos divertimos muito! Pode até ser um dia comercial, mas soubemos transformá-lo num dia gostoso e divertido.

Um feliz dia das mães para todas vocês!!!

Beijo carinhoso,
Clarissa.

*****

Para Sempre
(Carlos Drummond de Andrade)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pegadinha de Concorrência

Um pouco antes do nosso primeiro encontro,
e já quase na hora de receber em casa minhas
companheiras de blog, recebo uma mensagem de msn
da Andrea, que estava junto da Cris:

30/4/2008  15:41:48  Andréa  Julia  Julia, você tá ocupada?
30/4/2008  15:41:55  Andréa  Julia  eu e Cris precisamos muito da sua ajuda... ;-)
30/4/2008  15:42:06  Julia  Andréa  Diga! :)
30/4/2008  15:42:32  Andréa  Julia  estamos com um erro de concorrencia, mas está tão absurdo que a gente acha que está fazendo algo errado
30/4/2008  15:42:43  Andréa  Julia  vou te mandar o programinha para voce rodar aí
30/4/2008  15:42:45  Andréa  Julia  pode ser?
30/4/2008  15:43:33  Julia  Andréa  Posso tentar ajudar sim, mas se vce e a Cris nao conseguiram, acho dificil eu conseguir... ;)
30/4/2008  15:43:36  Julia  Andréa  me manda

É claro que aceitei o desafio :-)
Problemas de concorrência são sempre divertidos
mas, esse em particular, faço questão de compartilhar
no blog. Não pela dificuldade em si, mas pela
sua característica de "não ser o que parece ser" ,
aliás tão comum na programação e na vida...

Logo depois, elas próprias identificaram o erro
mas eu confesso que, se as duas não fossem minhas amigas,
eu diria que elas estavam querendo me derrubar ;-)

É claro que já dei a entender que o código tem uma
"pegadinha", mas assim mesmo vou deixar vocês
descobrirem qual é ela e colocarem seus comentários
a respeito.

Segue o código "bichado", como a Cris o chamou.
O código está escrito em Java.

import java.util.*;

class Handler {
private Vector lista = new Vector();

public synchronized void altera() {
System.out.println("Entrou ALTERA");
for (String str : lista) {
lista.remove("123");
}
try {
Thread.sleep(1000);
}
catch(InterruptedException e) {
e.printStackTrace();
}
System.out.println("Saiu ALTERA");
}

public synchronized void add(String a) {
System.out.println("Entrou ADD");
try {
lista.add(a);
Thread.sleep(1000);
}
catch(InterruptedException e) {
e.printStackTrace();
}
System.out.println("Saiu ADD");
}

public synchronized void remove(String a) {
System.out.println("Entrou REMOVE");
try {
lista.remove(a);
Thread.sleep(1000);
}
catch(InterruptedException e) {
e.printStackTrace();
}
System.out.println("Saiu REMOVE");
}

public static void main(String[] args) {
final Handler h = new Handler();
Thread t1 = new Thread() {
public void run() {
h.add("123");
h.remove("456");
h.altera();
}
};
Thread t2 = new Thread() {
public void run() {
h.add("456");
h.remove("123");
h.altera();
}
};
t1.start();
t2.start();
}
}

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Mulheres em cargos executivos e de gerência

A Taci nos mostrou uma reportagem que saiu no Globo Online sobre o aumento da participação feminina em cargos executivos e de gerência, nos últimos 6 anos.
http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mulher/mat/2008/05/05/participacao_das_mulheres_em_cargos_executivos_de_gerencia_tem_leve_crescimento-427221812.asp

Trata-se do resultado da pesquisa feita pelo Ibope Inteligência em parceria com o Instituto Ethos, com o apoio da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

Segundo a reportagem, o crescimento foi leve, mas os pesquisadores parecem acreditar no reconhecimento do valor que os talentos femininos trazem para uma empresa:

"Os resultados comprovam o que já sabíamos empiricamente. A importância das mulheres no mercado de trabalho é incontestável, e percebemos que as empresas mais competitivas estão investindo em políticas de ação afirmativa para incentivar a diversidade em seu quadro de funcionários."

Se alguém conhecer a referência direta a alguma pesquisa sobre o assunto, é só postar num comentário. Será ótimo ler trabalhos mais profundos e aprender um pouco mais sobre os "talentos femininos" aos quais a reportagem se refere, por exemplo. Um dos temas sobre os quais discutimos no nosso primeiro encontro foi justamente a contribuição das mulheres para o desenvolvimento de sistemas. Será que existem contribuições tipicamente femininas? Quais? Por que são femininas? Não somos feministas, mas entendemos que há características diferentes entre homens e mulheres (nem boas, nem ruins, apenas diferentes), que acabam se refletindo nos seus trabalhos.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Mudanças de papel

É incrível e admirável nossa capacidade de alternar nossos diversos papéis, inúmeras vezes, no decorrer do dia, não acham? E, em geral, fazemos isso com muita classe e elegância. "Em geral", eu sei, pois há dias nos quais perdemos (um pouco) a linha.

De manhã, enquanto começamos o dia perto da família, preparando o café, o lanche das crianças, arrumando todos para sair na hora, pensamos também no que vestir para o trabalho, o que depende dos nossos compromissos profissionais do dia (e lá vai a cabeça para outro lugar!). Aliás, tem dias que a experiência matutina é tão agitada que nem pensamos na roupa e colocamos a primeira coisa que aparece na frente (!!!). Só nos damos conta quando chegamos no trabalho e nos olhamos no espelho... "Hum... acho que exagerei hoje."

Já no trabalho, bem concentradas no que estamos fazendo ou no meio de uma reunião, recebemos telefonemas de casa. Às vezes é a empregada querendo saber o que preparar para o jantar (a Julia adora essa ;-)). Outras, o(s) filho(s) ou filha(s) perguntando se podem ir para a casa de um amiguinho, dizendo que o irmão está irritante, etc. Também acontece de o marido ligar do supermercado, perguntando o que precisa comprar (!!!). E lá vamos nós, trocar o papel de profissional pelo de dona-de-casa e, assim que desligamos o telefone, desfazemos a troca.

Para não ser injusta, não posso deixar de falar nos deliciosos torpedos que recebemos inesperadamente, com declarações de amor, algumas até desconcertantes. ;-) Surpresas muito gostosas, que nos enchem de energia, mas que também nos fazem alternar entre a profissional e a esposa, companheira e amante.

Esses são só alguns exemplos. Pensei nesse tema hoje, pois minhas trocas foram intensas, e acho que consegui administrá-las bem. :-) Que tal vocês compartilharem outras situações nos comentários? ;-)

Sabe, tem sido bem interessante essa experiência de escrever um blog. Eu já costumava refletir sobre minhas atitudes durante o dia, observar minhas reações, tentar compreendê-las, mas agora tem sido diferente, pois penso sobre os acontecimentos com um outro olhar. É sempre bom aprendermos um pouco mais sobre nós mesmos. Que tal experimentarem?

sábado, 3 de maio de 2008

Discutindo a Relação

Esse primeiro encontro já deu um tom do nosso blog.
Muitas idéias, mãos nos teclado, imprevistos,
comes e bebes e até futebol! :-)

E, para não fugir do clichê de que mulheres gostam de
discutir as relações, esse foi um dos assuntos da noite.
Aliás, um dos mais divertidos!

E não pensem que as relações sobre as quais discutimos foram
as conjugais. Essas, ficam reservadas para os nossos maridos ;-)
As relações das quais falamos foram aquelas que uniram
nós mulheres, presentes ali, em uma mesma profissão,
em um mesmo local de trabalho e, agora, ali naquela noite
de inauguração de um blog.

O que temos em comum? O que não temos em comum?
Por que partiu de nós essa iniciativa?
Quem não participou? Por que?
Enfim, muitas perguntas e, como qualquer boa discussão
de relações, poucas respostas conclusivas.

Mas, todas concordaram que: (1) gostamos de estar
juntas, mesmo já convivendo boa parte do nosso dia
em um local um tanto claustrofóbico;
(2) trocamos entre nós experiências, problemas,
conselhos, reclamações, bobagens, alegrias e tristezas
e (3) temos um futuro promissor, como amigas e como
blogueiras. ;-)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O Primeiro Encontro


Chegou o dia marcado. Depois dos e-mails sobre contos de fada, chegou a hora de pensarmos como será o nosso blog, sobre o que vamos escrever. Saímos do trabalho em dois comboios para a casa da Julia: eu, Clarissa e Letícia na frente, Andréa e Cris logo em seguida. A Julia já estava em casa, pois havia trabalhado de lá. A Ana foi a única que não pôde comparecer.

Alguns petiscos e um vinho gostoso. A Cris mal chegou e descobriu que teria que pegar seus lindos gêmeos (Ruth e Luca) na creche. Com a sua tranquilidade, correu lá e os trouxe. Vinícius, o filho da Julia, de 8 anos, cuidou deles super bem enquanto a sua mãe a as amigas pensavam no que iriam escrever neste espaço.

Divagamos sobre algumas idéias, várias vezes falamos que o ambiente de trabalho da informática é muito masculino, muito sério. Talvez por isto, estejamos unidas para escrever sobre um escopo variado de situações que acontecem no nosso dia a dia. Situações com colegas, com clientes, com chefe (pois é, todas nós temos o mesmo chefe), mas também com os maridos, com os filhos. Porém, dificilmente escreveremos algum artigo técnico aqui. Juntas descobriremos o que queremos escrever e publicar.

No meio desta divagação, Letícia pediu para assistir o jogo do Flamengo. Julia correu para assar a quiche. Clarissa cuidadosamente anotava todas as idéias e comentários que surgiam. O que seria de nós sem a sua organização? Enquanto isto, eu pesquisava como registrar o domínio e Déia tinha notícias dos seus sobrinhos trigêmeos. Tudo muito organizado. :-) Quase esqueço de comentar que um dos maridos já havia chegado, mas teve que esperar em outro cômodo da casa com as crianças e sem jogo de futebol.

No final da noite*, tínhamos várias anotações, meia dúzia de fotos de um notebook com um batom por cima e uma motivação gigantesca. Estou ansiosa para ver como isto vai ficar!

Bem, é uma experiência, e como toda experiência, pode ser que dê certo.

* Final de noite de um bando de mulheres de informática, que precisavam voltar para os seus maridos e filhos carentes de nós. Portanto, nada muito tarde.