domingo, 18 de maio de 2008

Marido nerd, sem computador

Desde que eu e André começamos a namorar, soube que se tratava de um nerd. Apesar de ser uma pessoa super especial, ele adora jogar no seu computador e não suporta ficar um dia sem atualizar seu Linux. Sem contar que ele chega até a compilar o kernel. (Ele fez questão de dizer que não tem mais precisado disto... Aí eu pergunto, alguém um dia já precisou?). Com tanta sede de atualizações, não é difícil que eu escute: "Putz, meu cd parou de funcionar". Acho que ele até gosta quando isto acontece porque pode futucar até descobrir como ajeitar.

Não deve ser difícil imaginar o meu enorme esforço para dividir a sua atenção e separá-lo do seu caso de amor número 1. Marco com os amigos, chamo para almoçar, combino um cinema e por aí vai. Ele até costuma topar outros programas numa boa. Nada sem antes olhar pelo menos as notícias em uns três jornais da web, ler outros cinco sites sobre novidades nerds e mais um tanto de outras coisas. Apesar de um ter um Mac e ele um Linux, adivinha quem me mantém informada das novidades e atualizações do meu Mac?

Não faz muito tempo que ele resolveu trocar seu computador por um ainda melhor. Coitadinha de mim, foram noites e finais de semanas de configurações e configurações. O pior, agora ele pode jogar muito mais do que antes porque a sua nova placa de vídeo e o seu processador são n vezes mais potentes. Socooooorrrro!

Eis que chega o dia da minha vingança. O seu novo e super computador quebra! Pior ainda, estava na garantia e ele não poderia abrir para futucar, teve que acionar a garantia. Naquele momento lembrei de um texto que os meus pais escreveram para mim na minha formatura, onde eles desejavam que o meu computador quebrasse várias vezes. Desejavam que quando isto acontecesse, eu olhasse para o lado e lembrasse deles, dos meus amigos, do resto do mundo e buscasse outras coisas longe daquela tela fria. Desde então, sempre que falta energia, ou que ficamos sem internet, tento por em prática o que meus pais disseram. Talvez eu esteja sendo um pouco injusta neste texto porque também sou bem chegada ao meu Mac (nada que chegue aos pés da relação entre André o seu todo poderoso).

No primeiro final de semana, até foi fácil colocar em prática os desejos dos meus pais. No segundo, nem tanto, começamos a disputar o meu Mac. No terceiro, eu tinha trabalho acumulado e precisava usá-lo de qualquer forma. André ficou desorientado, em crise de abstinência. Tentou a tv, livros, revistas... Tadinho... Depois de quase um mês, seu monstrengo voltou. Nunca pensei que eu fosse ficar tão feliz.

Mais um detalhe: hoje ele está radiante porque vai reinstalar o Windows e Linux. Não porque precisa, mas porque achou uma configuração melhor.

6 comentários:

Vinícius disse...

Tambem gosto de video games mas não sou tão nerd como ele!

Julia disse...

rsrsrsrsrsrsrsrs :-D
Adorei!

O Costa disse...

Pior é que é tudo a mais pura verdade =) Mas, na hora que precisa instalar Java 6 no "ultra cool" MacBook, fazer um script bash ou configurar o domínio pro blog, aí o papo é outro... "Dé, pode me dar uma ajudinha aqui?", com beicinho é tudo ;-)

(e eu faço amarradão, claro! =})

Taci disse...

Tenho que ter algum benefício, certo?

Clarissa disse...

Eu também divido o meu Mac...

Fred se apaixonou por ele e não quer mais saber do seu note. A princípio, era uma relação de amor e ódio, mas agora é amor puro, daqueles que só cresce. Quando acorda, liga o Mac, quando chega da rua, liga o Mac, e só pára quando eu preciso usá-lo ou quando arrumo algo para fazer.

Assim como o Costa, Fred topa outros programas numa boa, mas também fica desorientado quando eu preciso trabalhar, estudar ou quando simplesmente quero navegar pela rede e falar com amigos que moram longe.

Sabem, para profissionais de informática, computador parece ser que nem namorado e marido: não se divide com ninguém! ;-)

Anônimo disse...

Muito legal o seu texto. Fala de forma lúdica e bem humorada de parte do seu cotidiano com André.
Várias coisas e papéis a fazer e a desempenhar. Essa é a demanda da vida. E vezes a gente “empaca” num só lugar e papel. E nem sempre isso é bom.
Continuo desejando que o seu e o computador de André quebrem várias e muitas vezes e possibilitem a vocês descobrirem, ainda mais, outras “máquinas” humanas. Também são complicadas e interessantes.
E vocês bem sabem disso. Pois além de “nerds” são pessoas bacanas e muitas solidárias e companheiras.
Beijos
Ana Glória